FANTOCHES- 1995


Diretor: Luiz Carlos Maciel, baseado na obra de Érico Veríssimo
Elenco: Maria Claudia, Rubens Correa, Roberto Frota, Eduardo Moscovis




Erico e os Fantoches por Luiz Carlos Maciel
A obra de Erico Verissimo internacionalmente conhecida e admirada. Seus romances constituem um dos momentos mais altos da literatura brasileira neste século. Não preciso apontar sua importância. Todos sabem dela. Entretanto, são poucos os que conhecem o início desta obra, o primeiro livro de Erico - uma coletânea de contos e sketches teatrais reunidos sob o título de "Fantoches". Como se trata de uma obra da juventude, uma preparação para as grandes obras-primas de sua maturidade, muitos se dão ao luxo de simplesmente ignorá-la. Não sabem o que perdem. Na verdade, as admiráveis qualidades do escritor Erico Verissimo já aparecem em "Fantoches", em estado seminal. Alguns de seus principais temas como romancista também já são abordados nele. O jovem Erico já tem consciência da natureza ilusória do livre-arbítrio, do fato de que todos nós, seres humanos, somos bonecos nas mãos de forças superiores que determinam o nosso destino - uma intuição fulgurante que vem desde os gregos, atravessa a história de nossa cultura e alcança alguns dos melhores artistas de nosso tempo. Como Erico, "Fantoches" somos todos nós. Fantoches são também bonecos que representam uma das formas mais antigas e populares de teatro. Os sketches de Erico evidenciam sua atração pelo teatro e pela forma dramática, e se esse amor de sua juventude não floresceu, depois, em novas obras para o palco, abandonado pelo amor mais forte pelo romance, isso significa apenas que ele simplesmente espera por nós, homens de teatro, para ser resgatado e devidamente valorizado. Era tempo que isso acontecesse. Neste ano de 1995, faz noventa anos do nascimento de Erico. Achamos que não poderíamos comemorar melhor esta data do que homenageando o grande escritor com o resgate no palco, no teatro vivo, do seu namoro juvenil com a arte cênica.




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