SEXOLÁTRAS ANÔNIMAS- 2002
Diretor: Luiz Carlos Maciel, baseado na obra de Miriam Halfim
Elenco: Maria Claudia
Uma Mulher Procura sua Turma. Até que Encontra...
Pela primeira vez, Luiz Carlos Maciel não pode acompanhar a estréia de uma peça dirigida por ele. No mesmo horário, estava subindo ao palco como ator em outro espetáculo. Mas não é a primeira vez que ele dirige a própria mulher, Maria Claudia, agora em seu primeiro monólogo, "Sexolátras Anônimas", no porão da Casa de Cultura Laura Alvim. Difícil? Ele diz que depende do momento da relação. "A intimidade entre atriz e diretor vai tornando a atriz cada vez mais participante como diretor. Se tiver que fazer uma aferição exata de responsabilidade, diria que Maria Claudia é co-diretora", conta.
"Sexolátras Anônimas" revela ao público uma nova autora, Miriam Halfim, com inúmeras peças ainda inéditas na gaveta. Ela foi aluna de Maciel em um curso de roteiro. "Quando nos conhecemos, ela me trouxe esse monólogo já com a idéia que fosse feito por Maria Claudia", lembra o diretor."Fizemos uma leitura na Casa da Gávea e a recepção foi tão boa que Maria Claudia se entusiasmou".
Um Novo Vício
Para a atriz, um monólogo é o maior desafio para um ator. "Você não sabe como a platéia vai reagir", diz Maria Claudia. "Mas diria que não é simplesmente um monólogo. É um espetáculo-solo interativo. Uma mulher sozinha que procura uma turma onde possa se encontrar e dela fazer parte".
A solitária Sarita Salla da história, à procura de um grupo de pessoas com quem se identifique, visita várias sociedades, dos Alcoólicos Anônimos aos Narcóticos Anônimos, passando pelos Neuróticos Anônimos, Gastadores Anônimos, Comedores Compulsivos Anônimos. "No final, ela vai se encontrar nos Sexolátras Anônimas, porque adora sexo", conta Maria Claudia. A platéia funciona como o grupo, com quem ela conversa, dança e brinca. "Fui a alguns grupos. Cheguei quieta e anônima. Mas estes grupos são muito sérios e a peça faz disso uma brincadeira. Em qual grupo me encaixo? Não vou dizer, mas todos nós nos encaixamos em algum".
"Sexolátras Anônimas" não pretende de maneira alguma criticar os grupos de ajuda mútua. A visão crítica do texto se dirige a certo tipo de pessoas que procuram esses grupos às vezes indiscriminadamente. Pode-se dizer que existe até um novo tipo de viciado: o que tem mania de ir aos grupos de ajuda mútua.
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